Eletrobras: um olhar mais além

Quais as possíveis consequências da privatização?

Diante de um cenário de completa instabilidade na economia brasileira, que aos poucos aparenta alguma reação, mais uma notícia de grande impacto surge nos noticiários, agora envolvendo o setor elétrico do país, dito altamente estratégico para relações políticas. A Eletrobras, responsável por uma grande parcela de geração de energia do território nacional, está em vias da privatização. A principal argumentação se baseia na ineficiência presente em uma estatal e também na falta de expansão dos últimos anos, além, é claro, da opinião pública sobre cargos e facilidades que envolvem acordos políticos. Será que essa seria uma boa medida?

Muito se fala sobre uma menor tarifa no preço da energia elétrica, levando-se em conta que uma gestão mais profissional e eficiente conseguirá reduzir custos e por consequência repassar essa diferença para a população, mas a verdade é que a Eletrobrás já trabalha com valores bem abaixo do mercado, através de um papel social instituído pelo governo, que ajudou a levá-la para o vermelho. Portanto uma coisa é certa, os preços apenas aumentarão. Um outro tópico bastante importante é a questão da pesquisa nacional. A Cepel, pertencente ao grupo Eletrobrás, é um dos centros de maior desenvolvimento de inovação no setor do país, financiada por ações governamentais, mas pensando em termos administrativos, será que uma gestão estrangeira continuará tal trabalho? É bem mais provável que os chineses, favoritos para a compra, mantenham seu desenvolvimento em terras orientais. Aliando esse fator ao atual sucateamento das universidades públicas, a pesquisa no setor de engenharia elétrica tende a sofrer grande perdas nos próximos anos, algo que irá certamente interferir na carreira dos futurosprofissionais do ramo.

Por outro lado, considerando que a Eletrobrás é uma empresa com potencial de geração de lucros enormes, uma recuperação da saúde da companhia representaria um reaquecimento no mercado, trazendo mais desenvolvimento em termos de instalações para geração, transmissão e mercado de energia. Situações tenebrosas como linhas de transmissão caríssimas que levam energia de lugar nenhum a nenhum lugar podem, felizmente, desaparecer.Oportunidades de gerenciamento e de operação também tendem a crescer com o processo de privatização, além da inserção da tecnologia chinesa, que beneficiou e muito o desenvolvimento daquele país.

Fato é que essa medida trará benefícios e malefícios para todos os envolvidos, no caso do Brasil, toda a população, dessa forma só nos resta saber se a condução desse processo será bem-feita, pensando desde os investidores estrangeiros na aquisição até o uso do dinheiro arrecadado para fins úteis. Se tratando de nosso país, tudo pode acontecer.

Texto escrito pelo Álvaro Salles em 04/10/2018

 

 

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