Saneamento

No Brasil, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAD/2014, apenas 34,5% dos domicílios nas áreas rurais estão ligados a redes de abastecimento de água e 5,45% dos domicílios estão ligados à rede de coleta de esgotos. É uma estatística marcante dada as proporções do país. Não obstante, nas áreas rurais, é necessário adotar formas alternativas ás convencionais no que diz respeito ao saneamento.

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Sabendo disso, um grupo de alunos da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP passou a planejar projetos de tecnologias sociais para o Assentamento Comunidade Agrária Nova São Carlos no estado de São Paulo. Uma das principais diretrizes adotadas pelos alunos foi a questão do custo por essas tecnologias, pois é necessário que sejam de fácil acesso para a população.

O primeiro projeto aprovado foi em 2015 com a construção de um banheiro seco em um terreno, com a participação direta da família que nele reside. O banheiro seco é uma alternativa ecológica ao tratamento dos dejetos humanos, na qual as fezes são separadas da urina: se armazenam as fezes em um local sem contato com o ambiente externo, e a urina é encaminhada a um sistema fechado de tratamento de águas residuais.

 

saneamento2Em 2016, em outro lote, foi construída uma fossa séptica por bombonas. As fossas são unidades de tratamento de esgoto doméstico nas quais são feitas a separação e a transformação físico-química da matéria sólida contida no esgoto. Apesar de ser uma boa alternativa às residências desassistidas, as fossas não são como numa estação de tratamento de esgotos.

O último projeto, finalizado em 2017, resultou na construção de um tanque de evapotranspiração. Nesse sistema, a água do vaso sanitário é tratada através da digestão realizada pelas bactérias que vivem e se multiplicam no esgoto. As plantas também são fundamentais no sistema, já que elas que se aproveitam da água que vem com a descarga e do “adubo” produzido pelas pessoas. Como resultado desse processo, além do esgoto doméstico ser tratado, água e alimentos são gerados – pela evaporação do solo e das folhas e pelas plantas que dão frutos.

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A carência de investimento do poder público em pesquisas, desestimula que esse tipo de estudo seja feito em maior escala, para que abranja uma grande parcela da população brasileira que não tem acesso ao tratamento e distribuição de água e esgoto. No entanto, a iniciativa dos alunos é memorável e merece todo o crédito. Mesmo na fase difícil que o país passa, conseguiram aprovar projetos de suma importância para uma população às margens do Governo.

Texto escrito por Pedro Antônio, membro do Crea Jr – MG Núcleo Juiz de Fora.

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